sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

No sobrado, uma lembrança de fim de ano - Parte 3 - A promessa

Os dois dias seguidos passaram ásperos, quase intragáveis, era raro nós não estarmos juntos no fim do dia. Depois do meu trabalho costumava passar em sua casa no início na noite e ficávamos falando sobre tudo até o soar do toque de recolher. As badaladas dos sinos da matriz tocadas pelo bedel eram o fim de mais um dia comum, mas tudo sempre recomeçava no dia seguinte. Menos naqueles dois dias, e depois outros seriam os dias comuns. Eu não queria pensar a respeito.


1ª parte aqui.

Chegada a véspera, o dia se dividiu em euforia e depressão na minha mente. Me esforcei ao máximo para fazer daquele o melhor dia.
Sol se pondo, o sorvete escorria pela minha mão, e continuo atrapalhado até hoje.
O parque enfeitado com as luzes de natal em nada me trouxeram paz naquele ano.
Nós dois sentados ali, pela última vez, precisava ser bom. Resolvi esquecer os problemas e tirar o máximo de agradabilidade daquele momento. Puxei assunto.
"Há quanto tempo somos amigos?".
"Somos amigos desde sempre, apenas não sabiamos, então ficou oficial quando nos conhecemos".
"Isso não faz sentido".
"Você sabe que faz, só não chegou a hora disso ficar oficial".
Adorava ouvir ela falar dessas coisas... dessas coisas que não faziam sentido.
"As coisas que não fazem sentido são as verdade que esqueceram de acontecer, e ficaram escondidas do outro lado", ela me dizia sempre quando ficava aborrecia por eu perguntar o porquê de tanta coisa sem sentido. E quando eu perguntava 'que outro lado?' ela dizia que 'a resposta é a mesma', e então eu desistia, no final, eu adorava isso tudo.
Depois de algum silêncio eu falei.
"E vamos ficar amigos para sempre?".
Houve uma pausa, então ela saltou na minha frente e me aponto o dedo na face exclamando, gritando.

"Prometa! Prometa que vamos ser sempre amigos! Que não importa o quão longe ficaremos, trocaremos cartas sempre! E que nunca a distância vai fazer diminuir um milímetro nossa amizade! Prometa!"
Lembro de ver seus olhos rasos d'água, depois encharcados de lágrimas, por fim a abracei, mas ela continuo falando, com a voz chorosa, e não tão alto.

"Prometa que não vai me esquecer! Que se eu demorar demais você vai atrás de mim..."
Por fim, com a voz baixa, normal, e cansada.
"Prometa que vai se despedir de mim amanhã, no aeroporto... nosso último encontro."
A abracei forte.
"Eu prometo".

...continua aqui.

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